MAIS MILHO

Inovação que rende: Rally de Produtividade ensina a colher mais milho

Evento em Uberlândia reúne centenas de produtores para apresentar tecnologias e manejos capazes de elevar a produtividade para além de 300 sacas por hectare

Produzir mais sem abrir novas áreas é o principal desafio do campo diante das atuais incertezas do mercado. Em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, cerca de 400 produtores participaram de um dia de campo para conhecer estratégias de manejo e híbridos de milho de alto desempenho. As tecnologias apresentadas são capazes de elevar a produtividade para patamares superiores a 300 sacas por hectare.

O encontro ocorreu no Centro de Treinamento da Bayer e proporcionou um ambiente onde o agricultor pôde comparar resultados e testar inovações em estações experimentais. Da escolha dos híbridos ao manejo eficiente, o objetivo é transformar cada decisão técnica em uma ferramenta de rentabilidade, seja pelo aumento da produção ou pela redução de custos operacionais.

O diretor comercial de sementes da Bayer, Luiz Márcio Bernardes, destaca que o foco do Rally de Produtividade, agora em sua segunda edição, é assegurar o sucesso financeiro do produtor. “Produzir muito é um bom caminho para a gente estar bem, mas produzir de maneira sustentável e rentável, assegurando um resultado financeiro, talvez seja o nome do jogo no momento de tamanhas incertezas”, afirma ao projeto Mais Milho.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Estratégias de proteção

Um dos pontos centrais da discussão foi a eficiência no uso de insumos, já que aproximadamente 40% do custo de produção do milho é concentrado em fertilizantes. Para Guilherme Buck, da área de Pesquisa e Desenvolvimento da Agro Belts, o cenário de incerteza exige cautela, mas não pode paralisar a estratégia técnica.

“Muitas vezes o produtor, em uma situação de desafio, quer tirar um pouco o pé, quer desacelerar em termos de investimentos nesse sentido e aí é que entra a questão analítica. Eu não consigo definir uma estratégia se eu não tiver uma boa leitura do ambiente de produção muito bem definida”, explica Buck. Ele ressalta que essa análise é o que permite cruzar a genética da semente com o ambiente de trabalho.

Para blindar esse potencial genético, o manejo de proteção de cultivos deve ser assertivo. O mercado tem avançado em pacotes de soluções que incluem tratamentos de sementes para sanidade de colmo, redução de fusarium e o uso de nematicidas biológicos. De acordo com especialistas, esse cuidado, do plantio à aplicação final, é o que protege o milho contra patógenos e pragas.

Vinícius Starck Jacopini, gerente de desenvolvimento de mercado da Bayer, reforça que o manejo completo é fundamental para o produtor. “A Bayer está trazendo um nematicida biológico que traz uma proteção também para nematoides na cultura do milho. Esse manejo completo, desde o plantio até o momento ali que você tem aplicação, é fundamental para o produtor poder realmente tentar blindar o máximo possível o milho”, pontua ao Canal Rural Mato Grosso.

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Foto: Israel Baumann/Canal Rural Mato Grosso

Resultados na prática

O impacto das orientações técnicas é visível mesmo em safras atingidas por adversidades. O agricultor Fábio Kinsch, que possui propriedade em Campanha, no Sul de Minas Gerais, relata que conseguiu manter a média de produção em 206 sacas por hectare, apesar de ter enfrentado vendavais e granizo em seus pivôs.

Em áreas de teste com novos híbridos, os números foram ainda mais expressivos. “Teve uma parcela de um híbrido que está sendo lançado que a gente fez o teste lá, 0,2 hectares, que produziu 331 sacos. Foi, assim, disparado muito longe o recorde que eu produzi lá e me surpreendeu bastante”, conta Kinsch. Para ele, o milho tem sido peça-chave no equilíbrio da receita, especialmente em anos de preços baixos na soja.

Controle de pragas

Outro gargalo produtivo abordado no evento foi o manejo de cigarrinhas, enfezamentos e pulgões. O complexo de molicutes e viroses pode causar prejuízos que variam entre 40 e 50 sacas por hectare. Além da queda direta na produção, plantas enfezadas correm maior risco de acamamento, o que compromete a colheita e a qualidade do grão.

O alerta atual também se volta para a incidência de pulgões, que causam a má formação das espigas e prejuízos financeiros diretos. Max Leite, gerente de desenvolvimento de mercado da multinacional, explica que o dano muitas vezes só é percebido tarde demais, afetando a rentabilidade seja o milho destinado a verão, safrinha, silagem ou grão.

Para Luiz Márcio Bernardes, a produção de milho atingiu um nível de complexidade comparável a um “jogo de xadrez”, onde pequenos detalhes definem o resultado. Ele ressalta que as áreas que vencem concursos nacionais de produtividade estão 100% atreladas aos protocolos de manejo recomendados no Rally de Produtividade.

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