
Entre janeiro e junho Mato Grosso abateu 3,65 milhões de cabeças de bovinos, segundo o Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea). O volume, considerado o maior da série histórica para um primeiro semestre no estado, foi impulsionado pela forte demanda do mercado internacional, em especial da China, que apresentou crescimento de 38,76% nas aquisições frente a 2025.
Ao se comparar com 2025, o total de animais enviados ao gancho representa um crescimento de 3,58% em relação ao mesmo período analisado.
Do total de animais enviados para a indústria, os machos somaram 1,81 milhões de cabeças, 13,05% a mais do que em 2025. Já as fêmeas totalizaram 1,85 milhões de cabeças, retração de 4,26% nos envios.
De acordo com a analista de bovinocultura de corte do Imea, Ana Eufrázio, o recuo nos abates de fêmeas em Mato Grosso se deve ao intenso envio registrado nos últimos anos à indústria e ao atual cenário da pecuária, onde a reposição voltou a ser atrativa. “Com isso, muitos produtores estão retendo matrizes para recompor o plantel, o que reforça essa mudança no ciclo da pecuária”.
Exportações de carne bovina disparam 38,76%
No primeiro semestre de 2026, Mato Grosso enviou para o exterior 511,75 mil toneladas em equivalente carcaça (TEC). O volume supera o período em 2025 em 38,76%. Em termos de receita, as exportações somaram US$ 2,41 bilhões, avanço de 63,82%.
A China representa mais de 50% das exportações de carne bovina mato-grossense. Conforme o Imea, a imposição da cota de salvaguarda chinesa fez com que frigoríficos acelerassem os embarques antes do esgotamento do limite tarifário, o que acabou contribuindo para o saldo observado nos abates no estado.
“Dentro da cota, as exportações ocorrem normalmente. Fora dela, passa a incidir uma sobretaxa de 55%. Isso provocou uma corrida entre os frigoríficos no primeiro semestre para vender o maior volume possível antes do esgotamento da cota”, explica a analista Ana Eufrázio.
A perspectiva para o segundo semestre nos envios é de desaceleração no ritmo das exportações para China, o que pode pressionar as cotações no terceiro trimestre de 2026. Além disso, algumas indústrias já sinalizam ajustes no ritmo de
abates e da produção.
“A expectativa é que o mercado volte a se movimentar na segunda quinzena de outubro, já de olho na cota chinesa do próximo ano”, pontua a analista.
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