CUSTO DO COMBUSTÍVEL

Entidades pedem aumento na mistura de biodiesel para conter preço do diesel

Setor propõe elevar participação do biocombustível para 16% como estratégia para reduzir dependência do petróleo importado e aliviar custos logísticos

biodiesel foto assessoria Unibio MT reprodução
Foto: Assessoria Unibio MT/Reprodução

O aumento recente no preço do óleo diesel, impulsionado pelas tensões geopolíticas no Oriente Médio, reacendeu o debate sobre a ampliação da mistura de biodiesel no combustível fóssil. A proposta central é elevar o percentual atual de 15% (B15) para 16% (B16), com projeções de chegar a 20% (B20).

A medida é vista como um mecanismo para amortecer os impactos da volatilidade do mercado internacional de petróleo nas bombas brasileiras. Atualmente, o cenário global pressiona o valor do barril, o que reflete diretamente no custo logístico nacional.

Em algumas regiões do país, o diesel já ultrapassa a marca de R$ 9,00 por litro. Em contrapartida, o biodiesel puro (B100) em Mato Grosso apresenta valores abaixo de R$ 5,70 por litro, o que torna a opção renovável competitiva diante do derivado de petróleo.

Capacidade produtiva e segurança jurídica

Para o presidente do Unibio MT, Henrique Mazzardo, o aumento da participação do biodiesel funcionaria como um contraponto estratégico, especialmente durante a colheita da safra de soja. “A maior participação do biodiesel na mistura funcionaria como um contraponto à alta do diesel fóssil, contribuindo para conter pressões inflacionárias”.

Além da questão financeira, o Brasil ainda importa cerca de 25% do diesel que consome. Essa dependência deixa o mercado interno vulnerável a oscilações cambiais e movimentos internacionais das commodities energéticas, destaca a entidade.

Segundo o diretor-executivo do UniBio MT, Alexandre Golemo, o setor possui experiência e capacidade técnica para atender ao aumento da mistura de biodiesel no diesel. “O setor possui estrutura e experiência suficientes para atender ao aumento da mistura, ainda mais diante do contexto de supersafra agrícola e da disponibilidade de matéria-prima“.

A proposta de transição para o B16 está amparada pela Lei do Combustível do Futuro. Contudo, as entidades reforçam que a mudança precisa de previsibilidade regulatória para garantir a confiança do mercado e a manutenção da qualidade do produto final.

Mazzardo destaca que a iniciativa também ajuda a cumprir metas ambientais. Conforme ele, a instituição apoia medidas que contribuam para a “melhoria da qualidade dos combustíveis e para o cumprimento dos compromissos internacionais assumidos pelo Brasil na redução das emissões de gases de efeito estufa”.


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