EFEITOS DO CLIMA

Um mês antes do previsto, soja começa a ser colhida em Mato Grosso

Ausência de chuvas e altas temperaturas encurtaram o ciclo da soja precoce em algumas propriedades no estado

Produtor em Ipiranga do Norte, ao médio-norte de Mato Grosso, deu a largada na colheita da soja 2023/24. A ausência de chuvas regulares e as altas temperaturas adiantaram o ciclo da variedade precoce em algumas propriedades.

A semeadura da soja ainda ocorre em Mato Grosso. Até o dia 24 de novembro, segundo dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea), 98,39% dos 12,2 milhões de hectares previstos estavam plantados. E as estimativas apontavam a necessidade de replantio em aproximadamente 4,19% das áreas.

O produtor Valcir Batista Gheno iniciou nesta quarta-feira (29) a colheita da soja 2023/24 na sua propriedade em Ipiranga do Norte. Segundo ele, os fatores climáticos provados pelo El Niño provocaram um adiantamento do ciclo.

“Demos início a colheita da soja. Antecipada. Pelo ciclo desse material, era colheita prevista 20 a 22 de dezembro, mas infelizmente por ter dado um veranico no enchimento de grão ela antecipou o ciclo dela. Um grão muito chocho. Infelizmente não encheu”.

Clima afeta produtividade da soja

Conforme o produtor, a variedade utilizada no ciclo precoce nesta temporada foi a mesma semeada no ciclo passado. Ele conta que neste início de colheita registrou cerca de 30 sacas por hectare, volume bem abaixo da média de 80 sacas verificadas na safra 2022/23.

“Como plantamos algodão, a gente planta materiais mais precoces e infelizmente faltou chuva. Pegou bem numa determinada época em que precisava de chuva e enchimento de grão faltou”.

A estimativa que é aproximadamente 15% dos três mil hectares destinados na propriedade para a produção de soja tenham problemas de quebra de produtividade diante dos efeitos do El Niño. A área em que a colheita está ocorrendo possui cerca de 250 hectares e ficará em repouso até o início do cultivo do algodão.

A soja em questão, cuja colheita iniciou nesta quarta-feira, foi semeada na propriedade nos dias 7 e 8 de setembro em área de sequeiro, de acordo com Gheno, mediante autorização de plantio excepcional do Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), que foi concedido para produtores de algodão antes do fim do vazio sanitário da soja no dia 15 de setembro.

“Setembro estava chovendo muito bem para nós e como teve essa liberação plantamos visando o plantio de algodão dentro de uma janela mais ideal”.

Encurtamento de ciclo e replantio

O clima quente e os longos períodos sem chuvas, chegando em algumas localidades há mais de 25 dias, têm impactado o desenvolvimento das lavouras, e de acordo com relatos de produtores, como destaca o Imea, “em alguns talhões, já é observado o encurtamento do ciclo da soja, o que pode prejudicar no potencial produtivo da planta”.

Ainda de acordo com o Imea, apesar da perspectiva de ressemeadura em 4,19% da área destinada para a soja nesta safra 2023/24, algumas áreas poderão não ser replantadas em decorrência aos custos adicionais.

O instituto salienta que alguns produtores que fazem algodão segunda safra relataram que devem destinar parte da área para a fibra, visto a necessidade de produzir e cumprir os contratos já firmados.

“Por fim, segundo o NOAA, as precipitações para a próxima semana poderão apresentar volumes de chuvas entre 35 e 45 mm na maior parte de Mato Grosso, o que deve aliviar o estresse hídrico em algumas regiões”.


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