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"Tarifaço" dos EUA impacta nas cotações do algodão

Contratos do algodão na bolsa de Nova York encerram a semana com quase 4% de queda

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Foto: Israel Baumann/ Canal Rural Mato Grosso

A imposição de novas tarifas durante a semana por parte dos Estados Unidos, atingindo mais de 180 países, derrubaram os preços futuros do algodão. Contratos para julho e dezembro de 2025 bateram o limite de baixa após o “tarifaço”, registrando queda de 3,8% e 3,9% respectivamente em relação à semana anterior.

As informações constam no Boletim de Inteligência de Mercado Abrapa desta sexta-feira (4).

Confira os destaques trazidos pelo Boletim de Inteligência de Mercado Abrapa:

Algodão em NY – O contrato Jul/25 fechou nesta quinta 03/abr cotado a 65,71 U$c/lp (-3,8% vs. 27/mar). O contrato Dez/25 fechou em 67,55 U$c/lp (-3,9% vs. 27/mar).

Basis Ásia – Basis médio do algodão brasileiro posto Leste da Ásia: 854 pts para embarque Abr/Mai-25 (Middling 1-1/8″ (31-3-36), fonte Cotlook 03/abr/25).

Baixistas 1 – O Fundo Monetário Internacional (FMI) alertou em comunicado que as tarifas anunciadas pelo governo americano “ameaçam a economia mundial”.

Baixistas 2 – Os EUA são o principal mercado importador de produtos têxteis e confecções. Dos 10 maiores exportadores para o país, somente o México não foi atingido nessa rodada de tarifas.

Baixistas 3 – Todos os 10 maiores mercados de exportação de algodão do Brasil foram atingidos pelo tarifaço: China (34%), Vietnã (46%), Paquistão (29%), Bangladesh (37%), Turquia (10%), Índia (26%), Indonésia (32%), Malásia (24%), Egito (10%), Coreia do Sul (25%).

Baixistas 4 – Para a China, a tarifa adicional de 34% deverá somada aos 20% já anunciados em fevereiro deste ano, totalizando 54% de tarifa adicional.

Altistas 1 – Com negociações em andamento, acordos entre países podem ser anunciados, dando mais segurança ao mercado.

Altistas 2 – Como consequência das medidas dos EUA, especula-se que a Índia pode rever suas tarifas de importação de algodão, atualmente em 11%. Só não se sabe se será somente para os EUA ou todos os países.

Altistas 3 – O USDA confirmou uma redução significativa (12%) na área total a ser plantada com algodão em 2025. Além disso, mais da metade da área será em regiões de alto risco climático.

Tarifaço 1 – Em 2 de abril, os EUA anunciaram tarifas de importação adicionais de 10% a 49% para mais de 180 países. A medida, que entra em vigor amanhã (5), gerou enorme reação negativa nos mercados.

Tarifaço 2 – Em um só dia, as bolsas americanas perderam US$ 2,5 trilhões em valor de mercado. Isso é mais que o PIB brasileiro.

Tarifaço 3 – Marcas e varejistas de roupas nos EUA estão insatisfeitos. O país importa 98% das roupas, principalmente da Ásia. Mais tarifas levarão à queda nas vendas e nos lucros. Reflexo: ações caíram muito na bolsa esta semana.

Tarifaço 4 – Já o mercado do algodão, que vinha em tendência de alta moderada, caiu forte após o anúncio das tarifas, atingindo o limite diário de baixa após o anúncio.

Tarifaço 5 – O Governo Chinês informou nesta sexta-feira (4) que irá impor tarifas adicionais de 34% sobre todos os produtos dos EUA a partir de 10 de abril, além de outras medidas de retaliação.

Tarifaço 6 – No entanto, como novos anúncios de tarifas ou acordos não estão descartados, o clima é de alerta, com muita volatilidade nos mercados.

Tarifaço 7 – O Brasil ficou entre os países menos impactados no tarifaço desta semana. Isso pode atrair investimentos para a maior industrialização no país. Os impactos para o algodão não serão no curto prazo.

ICAC – Em seu último relatório, o ICAC projetou 25,9 milhões tons de produção mundial de algodão em 2024/25 (+7,38% frente 2023/24). O consumo ficou em 25,5 milhões tons – alta de 2,27%.

EUA 1 – O USDA projeta 9,87 milhões de acres de área plantada de algodão neste ano. É um número menor que o divulgado pelo órgão em fev/25. Confirmando-se, será 12% inferior à área registrada em 2024.

EUA 2 – Preocupa o fato de que quase 60% da área plantada nos EUA foi identificada no Texas e em Oklahoma, estados suscetíveis ao abandono da cultura e com menores índices de produtividade.

EUA 3 – No ano passado, a área plantada foi de 11,2 milhões de acres. Para este ano, o USDA projetou inicialmente 10 milhões de acres enquanto o NCC projetou 9,6 milhões de acres em fevereiro.

China 1 – Na área de Xinjiang, principal região produtora de algodão na China, o clima adverso tem prejudicado o desenvolvimento das lavouras, que estão nos primeiros estágios após o plantio.

China 2 – Os estoques de algodão continuam altos na China, porém a demanda por fios melhorou e os estoques de fios diminuíram significativamente. O governo local está adotando medidas para estimular o mercado interno.

Brasil – Exportações – Os dados sobre as exportações semanais de algodão brasileiro serão divulgados somente hoje à tarde.

Preços do Algodão – Consulte tabela abaixo:

Fonte: Abrapa

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