O ritmo da colheita do milho segunda safra segue desigual entre as regiões de Mato Grosso. Enquanto o Médio-Norte já avança para a reta final dos trabalhos, o Sudeste ainda apresenta o menor percentual de área colhida, refletindo diferenças no calendário de plantio e na capacidade operacional das propriedades.
Levantamento do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) aponta que o Médio-Norte já colheu 58,04% da área cultivada. No outro extremo, o Sudeste registra apenas 15,34%, o menor índice entre as regiões produtoras do estado.
No consolidado estadual, a colheita alcançou 44,27% dos mais de 7,3 milhões de hectares cultivados na segunda safra. O avanço foi de 11,86 pontos percentuais em relação à semana anterior e está 4,07 pontos acima do registrado no mesmo período da safra 2024/25.
A diferença entre as regiões é considerada natural para este momento da temporada. O superintendente da Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso (Famato), do Imea e do AgriHub, Cleiton Gauer, pontua ao projeto Mais Milho que “o principal ponto que explica essa diferença entre as regiões é o período de semeadura”. Conforme ele, o porte das propriedades e as cultivares escolhidas pelos produtores também influenciam o ritmo da colheita.

Calendário de plantio define ritmo dos trabalhos
As regiões que conseguiram semear mais cedo naturalmente iniciaram a colheita antes das demais. Já as propriedades com maior capacidade operacional conseguem retirar o cereal do campo em menos tempo, o que amplia a diferença observada neste momento da safra.
“Também pesa o tamanho do parque de máquinas, principalmente em propriedades com perfil maior”, afirma Gauer. Segundo ele, esse fator permite maior agilidade tanto na semeadura quanto na colheita.
O executivo observa ainda que os híbridos utilizados pelos produtores também interferem na velocidade dos trabalhos. Como cada material possui um ciclo diferente, é comum que algumas regiões avancem antes de outras.
Mesmo com esse cenário, a expectativa é de que a diferença entre as regiões diminua nas próximas semanas. “As cultivares escolhidas pelos produtores também variam o tempo de cultivo dessas culturas. Mas é um indicador que deve ser corrigido nas próximas semanas”, destaca à reportagem do Canal Rural Mato Grosso.
Colheita acelera desafio para armazenagem
O avanço das máquinas também aumenta a pressão sobre a logística em Mato Grosso. A entrada de grandes volumes de milho ocorre em um momento em que parte da soja ainda permanece armazenada, reduzindo o espaço disponível para receber a nova safra.
“A velocidade da colheita é um desafio para a logística”, frisa Gauer. De acordo com ele, o volume de milho que chega aos armazéns é elevado e, neste ano, a desaceleração no escoamento da soja torna esse cenário ainda mais desafiador.
Na avaliação do superintendente, produtores, armazéns e tradings precisam administrar esse fluxo para acomodar toda a produção ao longo da colheita.
Apesar da pressão sobre a infraestrutura, ele lembra que essa situação já faz parte da realidade do estado durante o pico da safra. “É algo comum que a gente já acostumou de ver aqui no estado de Mato Grosso e que precisa ser vencido para conseguir acomodar toda essa produção”, ressalta.

Maior oferta mantém preços pressionados
Além da logística, a expectativa de uma safra robusta também influencia o mercado. O Imea projeta uma produção de 53,35 milhões de toneladas de milho em Mato Grosso nesta segunda safra.
Com o avanço da colheita, a maior disponibilidade do cereal mantém as cotações em queda. Na última semana, a saca de 60 quilos fechou em média a R$ 40,44, desvalorização de 1,53% em relação à semana anterior.
Para Gauer, esse movimento acompanha a entrada mais intensa da produção no mercado. “O preço já vem cedendo ao longo das últimas semanas com o início da colheita e, principalmente, agora com o forte da colheita entrando em Mato Grosso”, afirma.
O superintendente observa que o comportamento é típico deste período do ano. Com maior oferta disponível, as cotações tendem a permanecer pressionadas em praticamente todas as regiões produtoras do estado. “A disponibilidade de produto tem pressionado as cotações em praticamente todas as regiões de Mato Grosso”, conclui.

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