LAVOURAS

Soja, milho e algodão terão custos elevados na safra 2026/27 em Mato Grosso

Levantamento aponta alta nos custos de produção da soja e do milho para a próxima temporada. No algodão, apesar do recuo, o desembolso segue entre os maiores da série histórica

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

Produzir soja, milho e algodão em Mato Grosso continuará exigindo atenção redobrada dos produtores na safra 2026/27. Levantamento do Projeto Custo de Produção Agropecuária em Mato Grosso (CPA-MT), realizado pelo Imea e pelo Senar-MT, mostra aumento dos custos de produção da soja e do milho para o próximo ciclo, enquanto o algodão apresenta redução, mas ainda registra o terceiro maior custo da série histórica da fibra.

O cenário é marcado por despesas maiores com insumos, especialmente fertilizantes, corretivos, defensivos e sementes, além das incertezas climáticas e das dificuldades de acesso ao crédito rural. A combinação desses fatores pressiona as margens e exige maior planejamento por parte dos produtores.

Na soja, o custeio da safra 2026/27 foi estimado em R$ 4.315,29 por hectare, aumento de 3,21% em relação à temporada anterior. A alta foi impulsionada principalmente pelos gastos com fertilizantes e corretivos, que cresceram 5,40%, e pelos defensivos, com avanço de 10,97%.

Com isso, o ponto de equilíbrio para cobrir o custeio aumentou 9,13% frente à safra passada, elevando a preocupação dos produtores com a compra dos insumos ainda pendentes e com a comercialização antecipada da produção futura. Conforme o levantamento, “as incertezas climáticas seguem como principal fator de atenção, podendo afetar a produtividade das lavouras”.

Custos avançam no milho

Entre as três culturas analisadas, o milho apresentou a maior variação percentual nos custos de produção.

Segundo o CPA-MT, o custeio da safra 2026/27 foi estimado em R$ 3.799,42 por hectare em maio deste ano, alta de 14,46% em comparação ao consolidado da safra 2025/26. O resultado reflete o aumento das despesas com fertilizantes, defensivos e sementes.

Além da valorização dos insumos, o levantamento aponta que o avanço tecnológico do material genético utilizado nas lavouras também contribuiu para a elevação dos custos.

Como consequência, o Custo Operacional Efetivo (COE) alcançou R$ 5.528,49 por hectare, incremento de 15,03% sobre a temporada anterior. Já o Custo Total (CT) chegou a R$ 7.418,49 por hectare, avanço de 10,30% na comparação anual.

Considerando uma produtividade de referência de 120,28 sacas por hectare, o produtor precisará vender o milho a pelo menos R$ 45,96 por saca para cobrir o COE. O estudo reforça “a importância do travamento de preços em momentos oportunos para garantir melhor rentabilidade”.

Algodão recua, mas segue entre os mais caros

No algodão, o movimento foi diferente. O custeio da safra 2026/27 foi estimado em R$ 10.652,39 por hectare, queda de 1,14% frente ao ciclo 2025/26. A redução foi puxada pelas menores despesas com manutenção, operações mecanizadas e defensivos. O COE também apresentou recuo de 0,64%, ficando em R$ 15.247,29 por hectare.

Apesar da retração, o custo da próxima safra permanece elevado. Conforme o CPA-MT, o valor projetado é o terceiro maior da série histórica acompanhada pelo Imea.

Ao considerar a produtividade média de pluma das últimas três safras, de 124,22 arrobas por hectare, o produtor precisará comercializar a fibra a pelo menos R$ 122,75 por arroba para cobrir o COE.

Até maio de 2026, o preço médio ponderado das vendas da safra 2026/27 estava 3,42% acima desse ponto de equilíbrio, sustentado pela valorização observada entre abril e maio. Ainda assim, a rentabilidade do cotonicultor continua sensível às oscilações do mercado.


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