PECUÁRIA DE CORTE

Pequenos produtores comandam 80% da estrutura da atividade pecuária em Mato Grosso

Embora conhecido pelos grandes confinamentos, estado com maior rebanho do país tem a maioria dos estabelecimentos concentrada em áreas de até 320 hectares

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Foto: Pedro Silvestre/Canal Rural Mato Grosso

A hegemonia de Mato Grosso no mercado nacional de carne bovina depende majoritariamente de uma malha capilarizada de pequenas propriedades. Dos 106.009 imóveis rurais cadastrados no Instituto de Defesa Agropecuária do estado (Indea-MT) para a criação de gado de corte, 85.005 são áreas de pequeno porte, que não ultrapassam os 320 hectares.

Esse contingente de produtores familiares e de menor escala representa 80,1% do ecossistema da atividade no estado. O peso econômico do setor mede-se também pela sua representatividade empresarial: a atividade responde por 9,36% de todos os CNPJs ativos em Mato Grosso, superando faturamentos e estruturas do cultivo de soja, do comércio de roupas e do transporte rodoviário de cargas.

Os extratos restantes da cadeia produtiva local revelam uma participação de 11,8% de médias propriedades, o equivalente a 12.583 fazendas. Já os grandes complexos pecuários representam a menor fatia absoluta do total de estabelecimentos, somando 8.417 propriedades, ou 7,9% do total registrado pelo órgão de defesa sanitária.

Na divisão geográfica, o extremo norte e a região de fronteira concentram os maiores polos produtivos em volume de fazendas. O município de Colniza desponta na liderança com 3.762 unidades, seguido por Cáceres, com 3.218. Juína (2.485), Nova Bandeirantes (2.140) e Confresa (2.051) completam a lista das cinco cidades com maior densidade de propriedades.

Dinâmica econômica regional

Analisando a dispersão dos dados, o diretor de Projetos do Instituto Mato-grossense da Carne (Imac), Bruno de Jesus Andrade, aponta que o peso estatístico das pequenas áreas mostra que a sustentação do rebanho mato-grossense ocorre fora dos grandes conglomerados corporativos. Segundo ele, o volume expressivo de pequenos pecuaristas descentraliza a receita e fomenta os mercados locais.

“Essa ampla base produtiva é um dos fatores que ajudam Mato Grosso a manter sua liderança na produção de carne bovina”, sinaliza Andrade.

O diretor pontua que a presença capilar da atividade nos municípios do interior funciona como um motor de desenvolvimento regional, impulsionado pela absorção de novas ferramentas de manejo.

“Temos uma cadeia produtiva diversificada, presente em todas as regiões do estado e cada vez mais focada em produtividade e tecnologia. Esse conjunto de fatores tem sido fundamental para consolidar Mato Grosso como uma referência mundial na produção de proteína animal”, conclui.


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